domingo, 24 de maio de 2015

Sobre bruxas e sonhos

Quantas vezes eu penso que vivo
Mas, na verdade, durmo entre as bruxas
Que povoam os céus de meu pensamento,
Cruzando o ar em vassouras de delírios,
Fazendo em seus caldeirões ferventes
Poções de sonhos e desejos secretos?

E como me encantam com sua beleza etérea,
Que dura apenas o tempo de um beijo,
Me iludem apenas por breve momento,
Em seguida me mordem, me cospem, me arranham,
Retiram de mim a energia que já não tenho,
Depois rolamos, corpos abraçados, na lama.

Conversamos longamente à luz branca da lua,
Entre danças, cantos, súplicas e murmúrios difusos
Por entre as nuves cinzas no céu da noite,
Testemunhas de um ritual pagão e profano
Que rasga o véu negro do silêncio noturno,
Exaltando o desconhecido da vida e seu curso.

Depois me deixam, como chegaram, em silêncio,
Sumindo por entre as trevas da fria madrugada,
Reticentes, sorrindo faceiras ante meu espasmo.
E ressurjo de mim, o mesmo? Talvez renovado?
Apenas saudoso da presença daquelas bruxas
De seu canto, sua magia, seu poder temporário.

(23 de maio de 2015)

terça-feira, 29 de maio de 2012

A VENTURA


Um poema novo, inspirado na minha Venus♥, para que ela desse um título, ilustrasse e eu pudesse lançá-lo ao Oceano... Ei-lo...

by Marcela Oliveira
Quanto tempo esperei por você
E, vagando por desertos escaldantes
Ou por escuras e frias noites sem luar,
Não tive estes olhos-estrelas tão brilhantes.


Quanto tempo desejei sem saber o quê
E caminhei a esmo, em círculos, sem rumo,
Cruzando vales e rios e pântanos e mares,
Numa busca vã de um porto, de um prumo.


Quanto tempo passei perdido em desilusão,
Gritei, chorei, esbravejei, sempre calado
E um dia estaquei, atônito, em confusão:
Vi o motivo da minha busca ali, ao meu lado.


Sorri, chorei, lancei teu nome no ar, ao vento,
Com meu céu agora ornado por teu brilho lunar,
Anunciando um ditoso destino: Antônio e Cecília,
Pelas frestas do futuro, sorrindo, a nos espiar...


(21/maio/2012)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

AETERNUM

Uma homenagem especial para a mulher que tem transformado minha vida em um doce sonho, enquanto caminhamos juntos - e cada vez mais juntos - rumo a um ditoso destino...


Dos amores que tive
Mais forte e sincero não há que este,
Que ora me afaga o peito
E estremece o corpo


E faz viajar a mente em sonhos
De união e casa e vida e filhos,
Enquanto me deito sobre seu ventre
Na noite fria, e escuto, e cochilo.


E enquanto sonho sobre seu seio,
Vejo dois velhinhos conversando, rindo
Das ruguinhas dela, da lentidão dele.


E prevejo: o etéreo sonho como aquarela,
Depois que o sono derradeiro veio,
A mão dele na dela, os lábios sorrindo.


(30 de abril de 2012)

sábado, 14 de abril de 2012

AMOR, AMOR

Nos últimos tempos muitas reviravoltas aconteceram na minha vida, dentre elas, e a mais importante da minha vida sem sombra de dúvidas, ter conhecido uma pessoa que materializou uma frase hamletiana, na qual sempre acreditei:


"There are more things in heaven and earth, Oratio, than are dreamt of in your philosophy."
(Hamlet, Act I, Scene V)



Que amor é esse...?
Que me derruba
E me levanta,
Que me tortura
E me acaricia,
Que chega como onda no mar
E sobre mim se derrama?


É um amor de brilho,
Que sai dos teus verdes olhos,
Cruza o ar e risca e acende,
Me encendeia, meu peito inflama.


Um amor que arrebata
E que transforma,
Que destrói e reconstrói.
Que, como sereia sobre a pedra,
Me enfeitiça, se sua voz me chama.


Por isso, desse amor
Quero viver cada bom momento
Sob o brilho de teus olhos,
Sentir teu cheiro e
Ouvir tua voz
A dizer que me ama...


(01 de abril de 2012)

quinta-feira, 29 de março de 2012

TRANSVERSANDO-A

Poema "transversal" que fiz há algum tempo, em homenagem a uma pessoa muito especial, e que agora jogo ao Oceano...


Picasso: Marie-Thérèze Walter...
...mas poderia ser a inspiradora desse poema...
Movimento-me num piso frágil, quebradiço,
CAda vez mais assustado a cada passo,
ToRcendo para provar de teu feitiço.


TroCo as palavras e frases pensando em ti,
NoitEs passam, eu apegado à tua imagem.


Belo e Lindo afresco que admiro sem parar,
Assim pAsso contigo as noites sem dormir.


(04 de março de 2011)

quarta-feira, 28 de março de 2012

COSMOGRAFIA

Um soneto em homenagem a uma mulher incrível, autora do desenho que ilustra essa postagem...


Ilustração de Marcela de Oliveira
Não quero definir com palavras o que sinto
Porque, se tento definir, bem sei que minto.
Ou, se não minto, me perco em engano,
Pois já não me reconheço, admito.


          O que era certeza esvaiu-se ante teu olhar,
          Que brilhou e ofuscou-me a razão e o pensar
          Como dois sóis os quais orbito, errante,
          Planeta à deriva no Cosmo, a sonhar.


E o brilho etéreo dessas verdes órbitas
Me atrai e repele numa dança cósmica:
Bailamos no desconhecido, voltas e voltas.


          Fundimos os lábios nessa dança ilógica,
          Explodimos e brilhamos, supernova, pulsar,
          E todo Universo congela a nos contemplar.


(14 de março de 2012)

domingo, 18 de março de 2012

ENSINAR, EDUCAR, LECIONAR?

Poema que fiz para a reunião de planejamento da Escola Municipal Rotary, em Santa Cruz da Serra, Duque de Caxias/RJ, onde trabalho, a pedido da Equipe de Orientação...


Ensinar, educar, lecionar?
Não sei qual o mais correto,
Pois do outro não sou arquiteto,
Gosto de ver o outro pensar.


Falta tinta, falta água, falta luz.
Não pode faltar o mais precioso,
Que é perceber um pequeno orgulhoso
Mostrando o brilho que seu olhar reluz.


Sou professor, um bicho mutante
Que elogia, dá bronca, encara, acalenta.
Que às vezes, na bronca, ri, não aguenta,
Enfim, aquele que sonha a cada instante.


Sou professor, mas o que sou então?
Um garimpeiro dos sonhos da vida?
Pessoa fraca, forte, hesitante, aguerrida?
Reticências, dois pontos, exclamação?

Sou professor, mas, o que isso diz?
Vagar entre pó e quadro e apagador?
Ser calado, efusivo, recatado, questionador?
Ou ser na vida um ensinante-aprendiz?

Deixo as respostas suspensas no ar,
Pois no final são poucas as minhas.
Do contrário, seria só uma erva daninha,
Intrusa no jardim das flores do sonhar.

(14 de março de 2012)

sexta-feira, 9 de março de 2012

BAR, MÚSICA & SONHOS

Um poema recente que aguardava ser jogado aos tubarões do Oceano... Escrevi num dia em que estava num bar próximo à minha casa, com meu amigo Helismar Azevedo: bebíamos e conversávamos...



No bar, enquanto bebo minha cerveja
A música me invade os ouvidos.
Traz sentimentos, memórias, emoções,
De sonhos antigos e planos recentes.


E, no ritmo da melodia, me pego descrente
De que possa mudar algo com minhas ações,
Ou reconstruir velhos sonhos ruídos
No mar de loucura que minha mente veleja.


E, por mais difícil que prosseguir seja,
Sigo na marcha, de alguns sonhos munido,
Escolhendo entre caminhos e bifurcações
Que se abrem e se estendem à minha frente.


Busco não me afogar no mar de minha mente,
Enquanto velejo, à deriva em divagações,
Das quais às vezes saio de peito ferido,
Pelos sonhos loucos que meu coração almeja.

Rio, 23 de fevereiro de 2012.

terça-feira, 6 de março de 2012

CÂNTICO À LUA

Uma homenagem à beleza da Lua e sua luz, tão linda nos últimos dias, iluminando os meus caminhos...



Daqui te observo e te admiro:
Bela Lua no céu a se exibir.
Me embriago em tua luz a cair
Enquanto viajo, sonho, deliro.


Desce, Lua, e vem dar-me a mão
Caminharemos juntos na rua escura
Entorpecido eu por fogo e paixão
Por terdes vindo à mim, bela Lua.


Se alguma névoa esconder tua face,
Que não demore, seja passageiro,
Que ligeiro se retire teu disfarce
E eu possa te rever, sentir teu cheiro.


Então, que eu possa ficar ao teu lado,
Uma estrela a te acompanhar no céu
E seguir-te pelo infinito carrossel
De mãos dadas, por tua luz iluminado.

(06 de março de 2012)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

POESIA VAZIA


Estávamos descendo a serra, vindo da cachoeira Ronco d'Água e ouvindo música, que já não me recordo qual era... Mas a música me inspirou a escrever. Eu estava há tempos sem escrever nada e com muita vontade de produzir, mas sem ideias sobre o que escrever...




Quero escrever um poema que não diga nada
Ávido que estou por escrever, mas sem ideias
Resolvo então preencher algumas linhas
Com palavras perdidas, a torto e a direito.


E quero que ele seja apenas isso: um poema
Que não transmita mensagens novas ou velhas
Sejam as mensagens de outros ou minhas
Não quero que seja belo, mas imperfeito.


Esse poema será apenas uma lauda recheada
Não terá métrica, belas palavras: será mal-feito
Como um jardim abandonado às ervas daninhas
Uma casa antiga, em ruínas e quebradas telhas.


Apenas manterei nesse poema umas rimas velhas
Que se esforçam por completar suas linhas
Ainda que de forma torta, de mal jeito
Para ser apenas uma simples poesia forçada.


Valença, 21 de fevereiro de 2012.